Royal Society publica artigo científico escrito por crianças

artigo científico

Quem pensa que a pesquisa científica está restrita às universidades e aos centros de pesquisa está redondamente enganado. Já imaginou um artigo científico iniciado pela célebre e conhecida frase “Era uma vez…” dos contos de fadas? Sim, este artigo existe e foi publicado, em 2010, pela Biology Letters, da associação científica Royal Society – uma das mais respeitadas do mundo – e foi escrito por (grandes) pequenos cientistas: crianças!

Blackatown Bee Project foi o primeiro artigo científico escrito por crianças

Blackatown Bee Project foi o primeiro artigo científico escrito por crianças

Blackatown Bees” ou, em português, “Projeto das Abelhas de Blacktatown” foi o primeiro artigo científico escrito por 25 crianças cientistas – sim, cientistas! – de 8 a 10 anos de idade, da cidade de Denver, na Inglaterra. O projeto científico foi orientado por Beau Lotto, neurocientista, que afirma, em uma palestra do TED (Technology, Entertainment, Design), que o bom cientista é aquele que domina a arte de… BRINCAR! E, no quesito “brincadeira”, crianças são verdadeiros especialistas. Uma brincadeira é movida pela incerteza e, quando dotada de regras, vira um jogo. Pode-se dizer que o mesmo acontece com a pesquisa científica: uma ideia, quando dotada de regras e padrões, vira um experimento científico. Assista, abaixo, à palestra completa do TED com Beau Lotto e Amy O’Toole.

CARACTERÍSTICAS DAS BRINCADEIRAS E DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS:

  • São movidas pela incerteza
  • São adaptáveis a mudanças
  • Estão abertas a possibilidades
  • São cooperativas
  • E possuem uma relação intrínseca de motivação (Brincamos por brincar. Brincar é, portanto, a própria recompensa).

Toda pesquisa científica parte de uma ou mais perguntas. E, no Projeto das Abelhas de Blackatown, 5 das perguntas elaboradas pelas crianças constituíam a base da pesquisa científica nos últimos anos.

Amy O’Toole, uma das crianças (e cientistas) do projeto, revelou que a pesquisa surgiu da seguinte pergunta: “E se as abelhas conseguirem pensar como nós?” Seria, então, possível existir uma ligação na maneira de pensar entre abelhas e humanos? Abelhas conseguiriam resolver problemas complexos da mesma forma que nós, humanos, resolvemos?

Experimento com círculos e cores.

Experimento com círculos e cores

As crianças realizaram um experimento (ou, na linguagem infantil, um jogo) com abelhas e círculos com um padrão de cores. As abelhas deveriam escolher as flores com néctar doce (atrativas) que, por sua vez, estariam em círculos azuis, rodeados por círculos amarelos, ou amarelos, rodeados por círculos azuis. Eles não sabiam se o experimento iria funcionar, pois ninguém (incluindo adultos!), antes, havia feito algo do tipo. Após observarem e coletarem dados, as crianças escreveram um artigo científico em linguagem infantil e tentaram compartilhá-lo na comunidade científica. O artigo começava com “Era uma vez…”, possuía onomatopeias e uma análise de dados feita de lápis de cor.

As crianças, após realizarem um experimento envolvendo círculos amarelos e azuis, fizeram a análise de dados - etapa fundamental na elaboração de artigos científicos

As crianças, após realizarem um experimento envolvendo círculos amarelos e azuis, fizeram a análise de dados – etapa fundamental na elaboração de artigos científicos

Ao tentarem publicar o artigo, receberam vários “nãos”, pelo fato do texto não estar adequado aos padrões científicos ou não possuir o mínimo de qualidade necessária para a publicação. Depois de 2 anos de tentativas, a Biology Letters, da renomada associação científica “Royal Society”, decidiu não só publicar o artigo infantil (que recebeu 30.000 downloads só no primeiro dia), mas o deixou como o único artigo gratuito, disponível, permanentemente, ao público, na revista.

Uma pequena pergunta, segundo Amy, pode levar a uma grande descoberta. As crianças de Denver foram os mais jovens cientistas a terem um artigo científico publicado e provaram que:

“(…)a ciência é legal e divertida, porque você pode fazer coisas que ninguém fez antes”.

 

 

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