Revistas predatórias: uma ameaça aos pesquisadores brasileiros

Revistas predatórias

Se você acabou de apresentar um artigo em um congresso e, logo em seguida, recebeu um email de uma revista internacional interessada em publicá-lo, estranhe! Você pode estar sendo alvo das revistas predatórias.

As revistas predatórias estão se tornando uma prática cada vez mais comum no Brasil.

Criada em 2008 pelo biblioteconomista norte-americano Jeffrey Beall, a expressão se refere aos periódicos que adotam práticas suspeitas de abordagem e de publicação.

As revistas predatórias costumam enviar mensagens automáticas, convidando pesquisadores e acadêmicos a terem seus artigos publicados por elas.

Além disso, também enfatizam que estão interessados em tê-los como membros do corpo editorial da instituição.

À primeira vista, um convite bem atrativo e tentador, não? Afinal, ter um artigo publicado por uma revista internacional agregaria valor ao currículo de qualquer profissional.

Mas, com as revistas predatórias, não é bem assim que funciona.

Após enviarem um email automático, elas pedem que o pesquisador mande a produção traduzida para o inglês para que, assim, possa ser publicada. De início, não mencionam custos para o pesquisador.

Sendo que, no final, a conta chega! Eles pedem que você pague um valor em dólares para ter o seu conteúdo publicado.

Mas os riscos não acabam por aí. Muitas das revistas não avaliam criticamente o conteúdo que recebem e publicam materiais cuja linguagem não é a científica.

Esse foi o caso do experimento feito pelo pesquisador Alexandre Martin, que enviou um artigo com frases escritas pelo seu filho de 7 anos, como “morcegos são animais muito legais” e teve o material aprovado.

Algumas revistas predatórias também chegam a publicar conteúdos sem sentido algum.

Outras sequer utilizam o método duplo-cego de avaliação, que é considerado um dos mais eficazes, para analisarem os trabalhos.

–> Conheça aqui os principais tipos e métodos de avaliação utilizados pelas revistas científicas. 

As revistas predatórias têm ainda o péssimo hábito de alterar o conteúdo enviado pelos pesquisadores com trechos plagiados de outras obras.

–> Plágio acadêmico: a prática que pode colocar em risco toda a sua carreira acadêmica e científica. 

Então, ter um conteúdo seu publicado por uma revista predatória pode manchar o seu nome no meio acadêmico e científico.

Na dúvida, sempre desconfie. E pesquise. Usar o papel de pesquisador é fundamental nessas horas!

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