Carreira de pesquisador: por onde começar?

Carreira de pesquisador: por onde começar?

Já te perguntaram o que você quer ser quando crescer?

Provavelmente, você não respondia “pesquisador” quando era criança.

Mas se você já teve contato com os institutos de pesquisa científica ou universidades públicas brasileiras, talvez já conheça essa profissão e a sua importância para o nosso país.

E tudo bem se ouviu falar sobre isso na escola, na faculdade ou só na pós-graduação. Se você ama a pesquisa, ainda dá tempo de se dedicar à carreira.

Mas antes é preciso conhecer pontos importantes, como campos de atuação, trajetória acadêmica e remuneração.

Por isso, neste artigo você vai aprender sobre:

Para começar, não é só pesquisar.

Vamos entender essa profissão por partes.

De fato, há muito tempo dedicado às pesquisas. Mas elas não são feitas de qualquer forma.

Então um pesquisador precisa estar ligado a uma instituição de pesquisa científica, ter vasto conhecimento na área e desenvolver seu estudo a partir de uma metodologia com testes, hipóteses e conclusões.

Ainda, há instituições, como universidades públicas, que unem a pesquisa ao ensino.

Sendo assim, muitos pesquisadores são também professores universitários.

Ou seja, em todo tempo, o trabalho de pesquisa volta para a sociedade.

Aliás, esse é o principal objetivo de pesquisadores e pesquisadoras: produzir conhecimento científico para o país.

Dessa maneira, eles ajudam a desenvolver diferentes áreas necessárias para a vida em sociedade, criam e exportam invenções capazes de salvar vidas e descobrem soluções para problemas complexos.

Por isso, esta profissão não está restrita apenas à uma área do conhecimento.

A exemplo da diversidade, temos de pesquisadores clássicos brasileiros, como Paulo Freire — que revolucionou a educação no mundo inteiro — às inovações contemporâneas, como as pesquisadoras brasileiras que descobriram a sequência do genoma da Covid-19.

Certamente essas carreiras de sucesso seguiram uma longa trajetória acadêmica e vamos te ensinar todos os passos para segui-la também.

Diferente de outras profissões, não há uma faculdade específica para se tornar pesquisador.

Isso porque, como já conversamos, há oportunidades para a pesquisa em todas as áreas!

Sendo assim, os estudantes normalmente descobrem a paixão pela pesquisa durante a graduação e, é nessa hora, que os primeiros passos são tomados.

No entanto, se você já se formou e percebeu que quer ser pesquisador, não é preciso fazer a graduação novamente.

Normalmente a trajetória acadêmica funciona da seguinte maneira:

1. Iniciando a pesquisa na graduação

Quando estamos buscando entrar mais preparados no mercado de trabalho, é durante a faculdade que começamos os estágios e estudamos a área.

Acontece da mesma forma com a pesquisa!

Antes de seguir a carreira acadêmica, ou seja, a vida como pesquisador, os estudantes universitários podem realizar a iniciação científica na graduação através das seguintes modalidades:

  • PIBIC: o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica oferece bolsas para que estudantes, ainda na graduação, possam iniciar pesquisas científicas em diferentes áreas do conhecimento;
  • PIBID: ou Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, que é oferecido aos alunos de cursos presenciais enquanto eles realizam estágio de ensino nas escolas públicas;
  • PIBITI: por sua vez, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, tem como foco estimular os métodos de pesquisa tecnológica.

Além disso, o próprio Trabalho de Conclusão de Curso é considerado uma pesquisa. Então já dá para ter uma experiência prévia, não é?

No entanto, se você não realizou essas atividades durante a graduação, não tem problema!

É bem verdade que elas são um diferencial nas avaliações para os cursos de pós-graduação, assim como publicações de artigos, apresentações em eventos e monitorias.

Quero publicar meus trabalhos acadêmicos!

Mas assim como é possível iniciar um emprego sem nenhuma experiência como estagiário, também dá para começar a carreira acadêmica mesmo depois da graduação. Vamos te ajudar!

2. Buscando experiência na especialização

“Pós-graduação lato ou stricto sensu?”

Quem nunca ouviu isso?

Primeiramente, vamos entender a diferença.

De forma simples, esses nomes complicados dividem os cursos de pós-graduação em especialização (lato) e estudo mais aprofundado (stricto).

Sendo assim, a especialização é voltada para os alunos já graduados que buscam capacitação profissional em um tema mais específico.

Apesar de não ser pré-requisito necessário para se tornar um pesquisador ou pesquisadora, essa alternativa é uma boa solução para quem não teve experiências durante a faculdade.

Contudo, o Ministério da Educação determina que uma especialização tenha, no  mínimo, 360 horas-aulas.

Por esse motivo, muitos estudantes preferem iniciar logo a carreira de pesquisador no mestrado.

3. Finalmente pesquisador: iniciando o mestrado

Como já discutimos anteriormente, para ser um pesquisador é preciso estar ligado a uma instituição científica e desenvolver uma pesquisa.

É justamente isso que acontece em um mestrado acadêmico!

Então é aqui que seu foco deve estar caso você queira começar a ser pesquisador.

Para ingressar no mestrado, normalmente é exigido um diploma de graduação e a participação em uma seleção.

Embora as seleções de mestrado possam variar a depender da instituição de ensino, é comum ter fases como apresentação de um projeto de mestrado, prova escrita, prova de língua inglesa ou espanhol e defesa do projeto.

Por fim, você será capaz de mostrar que é um pesquisador através da sua dissertação. Ou seja, a amostra do resultado da sua pesquisa no mestrado.

Depois disso, algumas empresas já permitem a atuação como pesquisador, mas é comum buscar aprimorar ainda mais a pesquisa no doutorado.

#DicaEven3

Assim como no trabalho, o networking e a mentoria são bastante importantes para o mestrado.

Por isso, uma dica para quem está querendo ingressar na pós-graduação stricto senso é buscar professores referências na área que deseja pesquisar, assistir às suas aulas e pedir indicações de leitura.

Além disso, se você já sabe em qual universidade deseja fazer o mestrado, estude os editais e as provas das seleções anteriores.

E também vale conversar com os próprios alunos da instituição!

4. Obtendo o título de doutor

Então chegamos ao mais elevado grau do ensino superior.

Embora você já possa ser considerado um pesquisador desde o mestrado, é no doutorado que você se firma como investigador na sua área.

Isso porque a pesquisa realizada no doutorado é apresentada no final do curso como uma tese e se caracteriza como uma contribuição inédita para o campo da ciência no qual você atua.

Por último, ao passar pela fase de qualificação e defesa da sua pesquisa, você receberá o título de doutor.

Além disso, é comum que doutores busquem melhorar as suas habilidades de pesquisa em outras instituições ou universidades.

Sendo assim, é possível realizar ainda o pós-doutorado. Afinal, sempre podemos aprender mais, não é?

Ou seja, o estudo de um pesquisador é constante e nada monótono.

Mas onde atuar? 

Certamente se você está considerando uma profissão, já deve ter pensado no mercado de trabalho.

Então vamos falar sobre as possíveis atuações dos pesquisadores:

Durante a formação

Como vimos, os estágios de formação são longos e já aqui podemos considerar o estudante como pesquisador. Por isso, a primeira fase de atuação também pode ser considerada a pesquisa no mestrado e doutorado que, em alguns casos, pode ser apoiada com bolsas de fomento à pesquisa apenas durante o período da pós-graduação.

Ainda, a carreira acadêmica abre portas para ingressar em universidades estrangeiras e viver no exterior;

Atuação em empresas

Em alguns casos, há também a possibilidade de trabalhar em laboratórios e indústrias de inovação durante a pesquisa, após o mestrado ou doutorado, a depender das exigências da empresa.

Assim, o trabalho pode ser desenvolvido de diversas maneiras, como soluções lucrativas para as empresas e até criação de novas tecnologias para o público geral.

Trabalhar em universidades

No geral, essa é a ocupação mais comum para um pesquisador. Por meio de concursos, um doutor pode ingressar em uma faculdade para realizar sua pesquisa ligado àquela instituição.

Aliás, as faculdades públicas costumam dar mais espaço às produções científicas. Mas é importante saber: normalmente universidades públicas brasileiras exigem que o pesquisador também seja professor. Assim surge a carreira do pesquisador-docente.

Além disso, ainda é possível seguir a carreira de professor em universidades particulares como mestre ou doutor, depende da exigência.

#DicaEven3

Para buscar um trabalho na área acadêmica, um bom currículo também é essencial.

Mas os pesquisadores possuem uma padronização diferente, é o currículo depositado na Plataforma Lattes.

Sendo assim, é super importante abrir uma conta gratuita no por lá e manter os seus dados sempre atualizados, bem como qualquer ação importante realizada durante a sua formação, como publicações e participações em eventos.

Agora que você já sabe onde pode atuar, resta o questionamento de quanto receberá por isso.

E a resposta é: depende da fase de carreira na qual o pesquisador se encontra.

Durante a formação, os pesquisadores que conseguem bolsas de fomento à pesquisa, recebem um auxílio fixo definido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no valor de:

  • Para mestrandos: R$ 1.500;
  • Doutorandos: R$ 2.200;
  • Pós-doutores: R$ 4.100.

No entanto, é necessário que o profissional se dedique exclusivamente à carreira de pesquisador. Ou seja, não pode ter outra fonte de renda.

Porém a situação melhora para o pesquisador-docente.

De acordo com o Educa Mais Brasil, a média salarial nas universidades públicas brasileiras é de R$ 13.626.

Mas para o professor da rede privada o salário pode variar entre R$ 2.600 a R$ 10.000.

Por esse motivo, os pesquisadores costumam enfrentar dificuldades para desenvolver a sua pesquisa no Brasil, principalmente as mulheres.

Mesmo sendo responsáveis por todo desenvolvimento científico e tecnológico no país, muitos pesquisadores brasileiros apontam dificuldades em dar continuidade à pesquisa devido aos baixos valores de remuneração.

E a situação piora entre as mulheres.

De acordo com dados do Open Box da Ciência:

Infográfico com dados do Open Box da Ciência sobre pesquisadoras no Brasil

Os dados expõem a desigualdade para as mulheres na ciência e abrem espaço para discussões sobre quais jornadas as pesquisadoras levam no Brasil.

Afinal, sem fomento à pesquisa, as mulheres provavelmente conciliam a carreira de pesquisadora com outro trabalho, os estudos e a vida doméstica.

É por esse motivo que a diversidade deve ser ainda mais incentivada nas pós-graduações brasileiras.

Ainda, continuar investindo na pesquisa científica é uma forma de contribuir para que mudanças reais e inovações aconteçam no nosso país, inclusive mudando cenários de desigualdade.

Por isso, separamos mais 3 dicas para estimular o início na carreira acadêmica.

1. Saiba defender a sua pesquisa

Primeiramente, ame a sua pesquisa. Então aprenda a falar bem dela em público.

É quase como uma amizade, não é?

De fato, essa pesquisa será sua companheira por um bom tempo e o grau de intimidade que você tem com ela é o que vai te garantir prestígio em situações importantes.

Por exemplo, a seleção para muitas pós-graduações envolve apresentação do projeto de pesquisa. Aqui o domínio no assunto conta muito, inclusive como tática contra o nervosismo.

Além disso, já imaginou pedir ajuda sobre sua pesquisa para um professor renomado e não saber o que falar?

Você precisa estar preparado para essas situações.

Por isso, vale investir muito em ensaios, bastante estudo e preparação de apresentações com antecedência.

-> Confira 7 dicas para não surtar durante a apresentação de trabalhos.

2. Faça networking!

Poder contar com outras pessoas e se ajudar é a parte mais legal da carreira acadêmica.

E nos estágios iniciais, muitas coisas vão depender mesmo da sua capacidade de construir relacionamentos, de fazer networking.

Seja respeitoso, compreenda o valor das conversas que você está tendo e frequente lugares do meio científico!

Acima de tudo, seja uma boa companhia. Ninguém gosta de um não-falante ou de alguém que fala demais.

3. Não tenha medo antes de começar

Por último, a dica mais essencial é: faça acontecer.

A princípio, talvez você sinta que há muita informação nova e as pessoas da área podem parecer mais experientes que você.

Mas todo mundo já esteve perdido também.

Ou seja, não desista antes de tentar!

A nossa dica é ir aprendendo com os erros e arriscar.

Participar de eventos, escrever artigos e ir para aulas abertas pode ser um bom começo para entender como as coisas funcionam na pós-graduação.

Além disso, as nomenclaturas também podem parecer confusas. Mas é só pesquisá-las nos artigos disponíveis no nosso blog!

Agora, que tal já ir treinando e escrever o seu primeiro artigo científico?

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