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Metodologia Científica: guia simplificado para escrever a sua

Quem é estudante já sabe: os assuntos “pesquisa científica” e “metodologia científica” estão sempre presentes nas grades curriculares das instituições de ensino.

Então, é bem difícil que você escape deles.

Mas diferentemente do que a maioria pensa ou espalha por aí, eles não são (e nem precisam ser) um bicho de sete cabeças. Sabe por quê?

Porque é possível otimizar o “fazer científico” criando e, principalmente, entendendo conceitos e processos. Mas muita gente (muita gente mesmo) pula essa etapa!

Claro que produzir artigos científicos, TCCs e elaborar a dissertação de um mestrado não são tarefas para serem executadas de um dia para o outro.

Mas, ao entender a estrutura, ou seja, aquilo que irá formar o esqueleto da sua pesquisa, eu garanto que vai ficar bem mais fácil desenvolvê-la.

Meu compromisso hoje é te tranquilizar e tornar a produção científica mais prazerosa para você.

–> Como ler artigos acadêmicos: um guia para leigos

Por isso, neste artigo, vou te ensinar a base de tudo o que você precisa saber para escrever a metodologia científica para os seus trabalhos.

Você vai aprender:

Para que você entenda de maneira fácil o conceito de ciência, perceba a seguinte evolução que sofreu a inteligência humana.

Na pré-história, os homens não conseguiam explicar os fenômenos da natureza e, por isso, tinham medo de tudo que acontecia à sua volta.

Com o tempo, passaram a explicar esses fenômenos com base nas crenças e nas superstições do contexto onde viviam.

Isso reflete bastante no conhecimento de “senso comum” (que é marcado pela tradição) que perdura até os dias de hoje.

Ou seja, aquele clássico conselho da avó de colocar uma planta X na barriga para aliviar uma dor, por exemplo.

Já a Ciência se refere ao conhecimento produzido pelo homem de maneira mais racional.

A Ciência acontece a partir do momento em que o homem busca explicar os fenômenos através de caminhos que possam ser testados, verificados e comprovados.

Então, tenha sempre em mente: para um conhecimento ser científico, ele precisa ser testado e verificado.

E, para ser testado e verificado, é natural que o conhecimento científico tenha que passar por uma série de processos, certo? Afinal, como saber se os testes funcionaram?

É como responder a uma prova da faculdade ou do colégio. Suas respostas precisam atender a certos critérios estabelecidos pelo professor para serem julgados como corretos.

Então…

No mundo acadêmico, esses processos pelos quais as pesquisas passam são conhecidos como métodos científicos ou metodologias científicas.

Mas calma aí… Antes de tudo, você sabe o que, de fato, é pesquisa científica? Como ela se diferencia de uma pesquisa no Google, por exemplo?

–> Google Acadêmico: por que utilizá-lo como fonte para pesquisa e publicação de trabalhos

Relação entre pesquisa científica e metodologia científica

O que é pesquisa científica?

Dentro da ciência, uma pesquisa é o conjunto de ações tomadas quando se tem o objetivo de encontrar a solução para um problema.

Essas ações têm como base procedimentos operacionais e sistemáticos.

Por isso, é tão comum que você escute seus professores dizendo que toda pesquisa parte de um problema. Justamente porque você precisa chegar a uma solução para ele.

Mas essa solução não pode partir de um achismo. Ela tem que ser, conforme o que falamos sobre conhecimento científico e ciência… testada e comprovada!

Por isso, surgiram formas de analisar a pesquisa científica. Você pode analisá-la de três formas: quanto à natureza (ou enfoque) da pesquisa, à abordagem do problema (ou metodologia) e aos objetivos.

Podemos fazer uma classificação tanto teórica quanto prática da pesquisa científica. No que diz respeito à parte teórica, a pesquisa científica pode ser classificada em:

1) Quanto à natureza

A natureza da pesquisa diz respeito à finalidade, à contribuição que ela trará à ciência. Quanto à natureza, as pesquisas podem ser classificadas como básicas ou aplicadas.

Pesquisa básica

A pesquisa básica – também conhecida como fundamental – é a que tem o objetivo de gerar conhecimentos para a ciência sem que estes tenham uma aplicação prática prevista.

Ou seja, a finalidade da pesquisa básica não é imediata.

Geralmente, as pesquisas básicas envolvem verdades e valores universais.

Pesquisa aplicada

Já a pesquisa aplicada tem o objetivo de gerar conhecimentos de aplicação prática para problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.

2) Quanto aos objetivos

Aqui você irá classificar, por exemplo, o grau de familiaridade que você já tem com o tema e o quanto você irá aprofundá-lo.

Pode ser exploratória, descritiva ou explicativa.

Pesquisa exploratória

A pesquisa exploratória é aquela que está em sua fase preliminar e objetiva conquistar maior familiaridade com o problema.

É desenvolvida quando ainda não há tantos dados e informações disponíveis sobre um tema, mas percebe-se que ele poderá ser alvo de pesquisas futuras.

A pesquisa exploratória costuma estar associada à pesquisa bibliográfica e ao estudo de caso, que é aquele em que o pesquisador levanta dados sobre indivíduos ou comunidades específicas (falaremos mais adiante).

Por estar em uma fase tão inicial e não existirem tantas informações disponíveis sobre o assunto, a pesquisa exploratória tende a exigir um esforço maior do pesquisador.

Pesquisa descritiva

A pesquisa descritiva, segundo Gil (2008), é aquela que descreve um fenômeno ou objeto de estudo (população, empresa, governo, situação-problema) e estabelece relações entre as suas variáveis.

Em outras palavras, ela levanta e registra as características de um determinado fenômeno, como por exemplo: a distribuição por sexo e idade de um determinado grupo ou ainda as pesquisas eleitorais e as preferências político-partidárias da população.

Na pesquisa explicativa, costumam ser utilizados instrumentos de coleta de dados padronizados, como questionários e observação sistemática.

Pesquisa explicativa

A pesquisa explicativa, por sua vez, é a que exige um maior grau de complexidade. Por isso, é comum vê-la em dissertações de mestrados e em teses de doutorado.

Ainda de acordo com Gil (2008), elas têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos.

É o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas.

A maioria das pesquisas explicativas são classificadas como experimentais e ex-post facto (falaremos mais adiante).

Obviamente a pesquisa explicativa se baseia em estudos anteriores, como em pesquisas descritivas e exploratórias.

3) Quanto à abordagem do problema

É o caminho mais adequado para estudar o seu objeto. Pode ter características quantitativas, qualitativas ou ambas.

Pesquisa Quantitativa

A pesquisa quantitativa consiste na quantificação dos dados coletados.

Faz-se uso de gráficos, tabelas, médias aritméticas e porcentagens traduzidas em números para análise de opiniões e informações obtidas durante a pesquisa.

–> Guia simples para escolher o melhor gráfico para a sua pesquisa

Ou seja, é a mais indicada para apurar opiniões explícitas dos entrevistados, uma vez que utilizam instrumentos padronizados, como questionários.

É utilizada, majoritariamente, pelas Ciências Exatas.

Pesquisa Qualitativa

A pesquisa qualitativa, por sua vez, interpreta e analisa os fenômenos, atribuindo-os significados, que não podem ser analisados quantitativamente.

Ou seja, é uma pesquisa de caráter exploratório e subjetivo, que estimula o entrevistado a pensar e a falar livremente sobre um tema.

Requer uma análise direta entre o pesquisador e o objeto de estudo.

Costuma ser amplamente utilizada nas Ciências Humanas.

Pesquisas mistas ou Quali-quantitativas

Há ainda pesquisas mistas, que fazem uso tanto de elementos da pesquisa quantitativa como da qualitativa.

Geralmente, o estudo é dividido em duas partes. Em um primeiro momento, faz-se uma análise quantitativa dos dados e, depois, uma análise mais subjetiva, que seria a qualitativa.

Na seção anterior, você aprendeu que uma pesquisa científica pode ser classificada quanto à natureza (básica ou aplicada), aos objetivos (exploratória, descritiva e explicativo) e ao método ou abordagem (qualitativa, quantitativa ou mista).

Agora, você vai aprender a classificá-la do ponto de vista prático. Isto é, a partir dos procedimentos técnicos que você utilizar durante todo o ciclo de vida da pesquisa.

10 procedimentos técnicos que você pode utilizar na sua pesquisa

Os procedimentos técnicos são classificados em dois grupos.

No primeiro, estão aqueles cujas informações vêm de fontes “de papel”. Nele se incluem a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental.

Já o segundo grupo é composto por dados fornecidos por pessoas. Nele estão a pesquisa experimental, a ex-post facto, estudo de coorte, o levantamento, estudo de campo e o estudo de caso.

Neste último, ainda podem ser incluídas a pesquisa-ação e a pesquisa participante.

1. Pesquisa Bibliográfica

A pesquisa bibliográfica é baseada em materiais já elaborados, em especial, livros e artigos científicos.

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Sua principal vantagem é permitir, ao investigador, uma ampla cobertura dos fenômenos.

2. Pesquisa Documental

A pesquisa documental difere-se da bibliográfica pela natureza das fontes. A base da pesquisa documental são os documentos.

Podem ser, por exemplo, cartas, diários, ofícios, regulamentos, correspondências pessoais, etc.

3. Pesquisa Experimental

A pesquisa experimental ocorre quando há a delimitação de um objeto de estudo, a seleção das variáveis que seriam capazes de influenciá-lo e a definição das formas de controle e de observação que a variável produz no objeto.

Testes em laboratórios costumam ser resultados de pesquisas experimentais, já que o pesquisador tem o controle de toda a situação.

Ele pode simular situações, analisá-las, compará-las e tirar conclusões sobre elas.

4. Pesquisa Ex-Post Facto

Ex-post facto significa “a partir do fato passado”. O experimento, portanto, realiza-se depois dos fatos e visa verificar a existência de relações entre as variáveis.

Em palavras mais simples, a pesquisa ex-post facto pretende entender como um fato passado impacta um grupo no presente ou irá impactar no futuro.

Diferentemente da pesquisa experimental, entretanto, o pesquisador não possui controle sobre a situação visto que ela já ocorreu.

5. Estudo de Coorte

Para Antônio Carlos Gil, o estudo de coorte refere-se a um grupo de pessoas com características em comum que vão ser analisadas durante um tempo a fim de entender o que acontece entre elas.

Esse grupo vai constituir, então, uma amostra, ou seja, uma parte de um todo.

O objeto – a amostra- em estudo pode ser um grupo de pessoas com características comuns (exemplo: grupo exposto a determinado fator de risco versus grupo não exposto ao fator de risco X).

6. Levantamento

O levantamento tem como principal característica o questionamento direto com pessoas relevantes para a pesquisa.

Após a coleta das informações, faz-se uma análise quantitativa dos dados obtidos.

A partir do levantamento feito com todos os integrantes de um universo pesquisado, obtém-se um censo. Os levantamentos são muito utilizados em pesquisas descritivas.

7. Estudo de Campo

Embora se assemelhe ao levantamento, o estudo de campo proporciona, ao pesquisador, uma análise mais profunda dos dados coletados.

Enquanto o levantamento alcança um maior número de pessoas, o estudo de campo oferece uma análise mais profunda e minuciosa do universo pesquisado.

O pesquisador também realiza a maior parte da pesquisa pessoalmente, no local onde ocorre o fenômeno pesquisado. Consequentemente, é um procedimento que exige mais tempo.

8. Estudo de Caso

De acordo com Gil, a modalidade exploratória da pesquisa utiliza bastante o método de estudo de caso.

Ele consiste em um estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, tendo como propósitos:

  • Explorar situações da vida real ainda não-definidas;
  • Preservar o caráter unitário do objeto estudado;
  • Descrever a situação do contexto em que está sendo feita a investigação;
  • Formular hipóteses e/ou desenvolver teorias;
  • Explicar as variáveis causais do fenômeno em situações complexas.

9. Pesquisa-ação

Na pesquisa-ação, os pesquisadores se envolvem ativamente com o grupo de pessoas do problema a ser estudado e solucionado.

Esse envolvimento acontece de forma cooperativa ou participativa.

10. Pesquisa-participante

A pesquisa participante é aquela em que o objeto de estudo do pesquisador (por exemplo, uma comunidade) se envolve na análise de sua própria realidade.

Ela tem um caráter de participação social e busca promover uma transformação social para aquele público.

Sim, pesquisa e metodologia científica são assuntos cheios de detalhes e informações. Mas lembre-se: você não vai utilizar todos eles na sua pesquisa!

Este artigo é um guia para que você aprenda a escolher os métodos e as classificações certas para montar a metodologia científica dos seus trabalhos.

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Vamos aos métodos científicos que você pode usar na construção da sua pesquisa?

O que é método científico?

Método científico é toda estratégia controlada e aplicada durante um processo investigativo para se chegar a um determinado resultado.

Ou seja, é um caminho sistemático (que deve seguir regras e padrões) para se chegar a uma conclusão. É uma técnica investigativa.

Tipos de métodos científicos

Conheça alguns dos métodos científicos:

Método indutivo

É aquele que se baseia na experiência. A partir de dados particulares, tiram-se conclusões gerais sobre um assunto. Ou seja, parte do específico para o geral.

Exemplo: pesquisa de intenção de voto – a partir de uma amostra da população, pressupõe-se o resultado geral.

Método dedutivo

É aquele que, a partir de dados gerais, inferem-se conclusões sobre casos específicos. Ou seja, parte-se de uma situação geral para uma específica.

Método histórico

Foca em investigar acontecimentos, processos, instituições e ações passadas para entender a influência que exercem no presente.

Método comparativo

O método comparativo é o que tenta analisar as similaridades e as diferenças entre indivíduos, classes, fenômenos e fatos.

Método tipológico

O pesquisador cria, no método tipológico, modelos ou tipos ideais para estudar e compreender fenômenos sociais complexos.

Agora, você já tem toda a base para montar a metodologia científica da sua pesquisa.

A metodologia científica é uma das partes do trabalho de conclusão de curso (TCC), do artigo ou de qualquer outra publicação de caráter científico.

–> Conheça 8 tipos de trabalhos científicos e entenda as diferenças entre eles. 

Ela vai relatar, de maneira detalhada e minuciosa, todos os procedimentos que foram utilizados para elaborar a pesquisa científica.

E o que isso inclui?

  • A classificação da pesquisa quanto à natureza (sua pesquisa é básica ou aplicada?)
  • O objetivo da pesquisa (a pesquisa é exploratória, explicativa ou descritiva?)
  • Os métodos utilizados para entender o problema (quantitativos, qualitativos ou mistos? Para isso, foi utilizado o método indutivo? Histórico? Comparativo?)
  • A listagem de procedimentos técnicos utilizados no decorrer da pesquisa (foi feito algum levantamento, alguma pesquisa bibliográfica? Como? Onde? Com quem?)
  • As fontes utilizadas.

Lembrem-se que cada um desses itens deve ser contextualizado e bem descrito. Nada de sair apenas pontuando cada um deles. Discorra sobre cada tópico.

Alguns detalhes importantes a respeito de como fazer a metodologia científica do seu trabalho:

A metodologia pode aparecer em um capítulo específico (dedicado exclusivamente a ela) ou como parte da introdução do trabalho.

O ideal, portanto, é que você consulte as normas da instituição de ensino ou do evento onde você irá submeter o trabalho científico.

Veja, por exemplo, se eles seguem as normas da ABNT.

Se sim, aqui você pode conferir como elaborar um projeto de pesquisa de acordo com as regras da ABNT.

→ Aprenda a montar projetos de pesquisa seguindo as normas da ABNT

Caso contrário, vá atrás do regulamento do TCC da sua faculdade!

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