Trabalhos científicos: o que são, tipos e dicas de como escrevê-los

Trabalhos científicos estão na rotina de todo estudante, seja na escola seja na universidade. Em cursos de graduação ou de pós-graduação.

É só parar para pensar. Provavelmente, algum dia, você já teve que ler um artigo científico, escrever uma resenha ou apresentar um pôster, certo?

Alguns trabalhos científicos servem para concluir etapas. Estes são os chamados Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC).

Outros, você produz durante a graduação, como resenhas, resumos, pôsteres e artigos científicos.

Mas é bem provável que o seu primeiro contato com um trabalho científico tenha acontecido lá atrás, nos tempos de escola.

Veja que estranho…

Embora a gente tenha crescido tendo contato com alguns gêneros – como o resumo – é bem comum que os estudantes relatem dificuldades em escrever trabalhos científicos quando chegam à faculdade.

Por que será que isso acontece?

A grande questão é que, na Academia, o nível de complexidade, a formatação e o objetivo desses trabalhos científicos mudam.

Afinal, os trabalhos acadêmicos são o instrumento de comunicação entre estudantes, professores e pesquisadores.

Ou seja, no universo acadêmico, todos precisam “falar a mesma língua”.

Cada país ou região costuma adotar um modelo de formatação para, justamente, facilitar essa comunicação entre os pesquisadores.

Entre os modelos mais conhecidos estão a ABNT (utilizada amplamente no Brasil), Chicago, APA e Vancouver.

Então, os resumos que antes você escrevia “do seu jeito” vão precisar, agora, ser escritos de acordo com a linguagem de uma determinada comunidade científica.

Para facilitar o seu entendimento, resolvi reunir alguns tipos de trabalhos acadêmicos e explicar um pouco a diferença entre eles. Neste artigo, você vai encontrar:

Os trabalhos científicos são aqueles que circulam no ambiente acadêmico.

Eles servem para disseminar ideias e informações de maneira padronizada e sistematizada, visando uma melhor compreensão entre os pesquisadores.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), na NBR 14274, especifica os princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros), visando sua apresentação à instituição (banca, comissão examinadora de professores, especialistas designados e/ou outros).

Como já falei, é comum que você se depare com vários tipos de trabalhos científicos ao longo da sua carreira acadêmica.

Por isso, é fundamental conhecer e saber diferenciá-los. Assim, você saberá como produzir um texto adequado a cada situação.

Projeto de Pesquisa

É uma proposta específica e detalhada do trabalho a ser desenvolvido, com o objetivo de definir uma questão e a forma pela qual ela será pesquisada.

→ [GUIA COMPLETO] Como montar um projeto de pesquisa de acordo com as regras da ABNT

É preciso definir as principais questões de estudo como forma para abordar a realidade.

Para que o projeto de pesquisa seja bem elaborado, é necessário responder algumas perguntas e seguir alguns passos:

  • Introdução
  • Tema – O que pesquisar?
  • Delimitação do tema ou tema específico;
  • Justificativa – Por que pesquisar?
  • Problema;
  • Hipótese;
  • Objetivos geral e específicos – Para que pesquisar?
  • Metodologia – Como pesquisar?
  • Cronograma – Quando pesquisar?
  • Referências – Por quem?

Baixe agora um modelo de Projeto de Pesquisa já formatado com as normas da ABNT e foque no mais importante: o conteúdo do seu trabalho.

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Resumo

O resumo é o trabalho científico que traz, de acordo com a NBR 6028 da ABNT, a apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento.

Na área acadêmica, é comum vermos os resumos como elemento pré-textual obrigatório dos artigos científicos. Este é o chamado resumo simples.

No resumo simples, você deve destacar os principais objetivos, métodos empregados, resultados e conclusões, permitindo que o leitor opte por ler ou não aquele texto na íntegra.

→ Resumo Simples e Resumo Expandido: aprenda sobre estrutura, extensão e formatação + dicas de como resumir textos.

Os resumos podem ser críticos (quando são redigidos por especialistas), indicativos (baseiam-se na obra original e indicam elementos-chave dela) ou informativos (trabalham com mais informação).

Há ainda o resumo expandido, que é mais extenso e estabelece comparações com conteúdos de outros autores.

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Resenha

Muita gente (muita mesmo!) costuma confundir resenha com resumo.

A resenha, além de sintetizar os aspectos mais relevantes de um documento (como faz o resumo), também fazem uma análise crítica da obra.

Esta crítica costuma aparecer no último parágrafo ou, em outros casos, no decorrer do texto.

A resenha traz, ainda, nesta ordem:

  • a identificação da obra,
  • informações sobre o autor da obra analisada,
  • resumo das ideias discutidas,
  • conclusão do autor,
  • apreciação (mérito da obra) 
  • por fim, se você recomenda ou não a leitura dela.

Relatório

O relatório, diferente da resenha, não permite análises nem opiniões.

Ele é um documento que visa informar o andamento de uma pesquisa, assim como aulas de campo ou experimentais.

As agências de fomento à educação, como o CNPq, costumam solicitar esses relatórios aos pesquisadores.

Fichamento

Para registrar e armazenar informações e facilitar o acesso a conteúdos, utiliza-se o fichamento. Ele identifica e faz uma síntese da obra.

Grande aliado na hora de escrever artigos, os fichamentos podem ser desenvolvidos de três formas:

1 – Fichamento de conteúdo: Destaca a ideia-base do autor da obra e suas justificativas sobre o tema.

2- Fichamento Bibliográfico: Além da síntese, também deve ser feita uma análise descritiva da obra.

3 – Fichamento de citações: Registra citações da obra. As citações devem ser transcritas tal qual o conteúdo original e devem estar entre aspas.

→ Chega de confusão: saiba mais sobre resumos, resenhas e fichamentos.

Pôster

O pôster é um tipo de trabalho bastante presente nos eventos acadêmicos, como congressos, simpósios e seminários.

Ele serve para apresentar os resultados ou o andamento de pesquisas científicas.

Também conhecidos como painéis ou banners, eles apresentam o conteúdos da pesquisa de forma sucinta e objetiva, dividindo-o em seções.

→ Pôster científico: dicas imperdíveis para montar o seu!

O pôster científico conta com muitos elementos visuais, como tabelas, gráficos e imagens.

Vale salientar que a formatação do pôster costuma variar de evento para evento. Então, na dúvida, consulte as normas do evento que você vai participar!

Artigo Científico

Segundo os estudiosos Alceu Cavalhieri e Sérgio Engerroff, artigo científico é a parte de uma publicação com autoria declarada que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas mais diversas áreas do conhecimento.

A NBR 6022 da ABNT diz que existem dois tipos de artigo: os de revisão e os originais.

Artigos de revisão são parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas. Artigo original, por sua vez, é parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais.

Publicar artigos científicos é ideal para os pesquisadores que querem aumentar a autoridade no meio científico.

→ Guia de como e onde publicar artigos

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ou Monografia

A monografia é o trabalho apresentado ao final de uma graduação ou de uma especialização, como forma de consolidar os conhecimentos adquiridos naquela área de estudo.

Por isso, as monografias também são conhecidas como trabalho de conclusão de curso, o famoso “TCC”.

Inclusive, as instituições de ensino adotam as disciplinas TCC 1 e 2 na carga horária dos cursos como forma de orientar e dar suporte aos alunos durante a pesquisa.

Depois de redigida, o aluno deve defender seu TCC a uma banca examinadora (geralmente composta por professores, profissionais do mercado e especialistas).

Com a aprovação do TCC e cumprida toda a carga horária do curso, o estudante está apto para tirar o diploma da graduação ou da especialização.

Dissertação de Mestrado

A dissertação é o trabalho científico desenvolvido para a obtenção do título de mestre.

Segundo a ABNT, a dissertação representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo, de tema único e bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar informações

Elaborada sob a coordenação de um orientador (doutor), a dissertação deve evidenciar o conhecimento literário sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato.

Tese de Doutorado

A tese, por sua vez, é o trabalho acadêmico feito quando se tem a intenção de obter o título de doutor.

Ela representa o resultado de um trabalho experimental ou a exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado.

Deve ser elaborada com base em investigação original e deve contribuir de maneira significativa para a área em questão.

A tese também é feita sob a coordenação de um orientador (sendo que este precisa ser um doutor).

Por ser mais complexa, costuma ser feita em cerca de 4 anos.

Agora que você já conhece bem alguns tipos de trabalhos científicos, já está preparado para começar a produzi-los.

Porém, apesar de parecer uma tarefa simples, sabemos que nem sempre colocar todas as ideias no papel, de forma organizada e sucinta, é uma atividade fácil.

E começar, muitas vezes, parece ser a pior parte.

Mas saiba que existem algumas técnicas que podem ajudar aqueles que sentem dificuldade de começar a escrever o texto de resumos, artigos ou monografias.

Ou ainda para que o texto do seu trabalho acadêmico flua de maneira clara e sem engasgos.

Elencamos aqui 6 dicas fundamentais para ajudar a colocar e a organizar suas ideias no papel. Mãos à obra!

1.  Organize-se!

Para conseguir colocar tudo de forma clara no papel, o primeiro passo é manter a disciplina e a organização!

Nessas horas, é muito bom que você tenha um ambiente de estudos organizado para desenvolver suas pesquisas.

O ideal é que seja um local silencioso, assim você desenvolve toda a concentração necessária para escrever o seu trabalho.

Um ambiente organizado influencia diretamente na forma como seus conhecimentos e ideias serão colocados no papel.

Algumas práticas podem facilitar a organização do ambiente e também das ideias. Que tal tentar:

  • Anotar dúvidas
  • Fazer listas de ideias e assuntos que queira abordar;
  • Usar post-its e colocá-los em locais estratégicos do ambiente de estudo. Assim, você sempre irá vê-los e, aos poucos, resolverá as pendências do trabalho.

2. Pesquise bastante

Nos dias atuais, o acesso à informação ficou muito mais fácil.

Mas “copiar e colar” informações sem atribuir à fonte é uma prática lamentável no ambiente acadêmico.

Na verdade, tal prática se configura como plágio e é considerada um crime contra a “propriedade intelectual”.

→ Plágio acadêmico: como identificá-lo e evitá-lo na sua pesquisa

Por isso, se você se sente perdido e não sabe por onde começar o seu texto, procure pesquisar em sites, artigos ou em livros que tenham idoneidade, que sejam confiáveis.

Uma boa dica é começar analisando a seção de “Referências” dos artigos científicos.

A partir delas, você pode encontrar bons materiais de pesquisa para embasar o seu texto.

E não se esqueça: ler bastante é primordial para desenvolver uma escrita aprimorada.

3.  Estruture seu texto!

Já tem o tema do trabalho científico, o local/ambiente adequado para escrevê-lo e as informações certas que vão embasar a sua pesquisa? É hora de colocar a mão na massa!

Agora a ordem é priorizar suas ideias, colocando-as no papel. Use sempre palavras familiares e evite, ao máximo, ser genérico.

Veja a seguir algumas diretrizes para nortear a produtividade de seu texto:

  • Substitua ordem indireta por ordem direta;
  • Prefira o específico ao geral;
  • Remova palavras e frases desnecessárias;
  • Exemplifique sempre que possível;
  • Escreva frases curtas, mas sem perder a coesão;
  • Evite o uso de abreviações.

–> Planejamento da escrita: 5 dicas extras para produzir trabalhos acadêmicos

4. Comunique-se com clareza!

Menos é mais: cada parágrafo deve ser claro e objetivo.

É fundamental comunicar-se com clareza e, ao mesmo tempo, levar as informações completas ao seu leitor.

Para isso, confira este resumo de como organizar seus parágrafos de forma clara e coerente.

A soma dos parágrafos compõe um texto natural e fluente.

O parágrafo-padrão:

Em relação à organização do parágrafo, evite períodos excessivamente longos.

Ninguém vai sugerir, por exemplo, que se encurtem os períodos de escritores consagrados.

No entanto, no que diz respeito às obras de não ficção e a trabalhos acadêmicos, sugere-se evitar períodos imensos, pois há grandes chances de o texto resultar cansativo e indecifrável.

O parágrafo deve ser composto de:

  1. Introdução: período (ou períodos) que expressa de maneira sucinta a ideia-núcleo do parágrafo, chamado de tópico frasal.
  2. Desenvolvimento: explicação do ideia-núcleo, do tópico frasal.
  3. Conclusão: nem sempre é utilizado, mas costuma aparecer nos parágrafos curtos ou cujas ideias são simples.

As qualidades que um parágrafo deve ter são:

  1. Unidade: ideia principal no parágrafo. É importante tentar abordar um único tema por parágrafo, sempre lembrando de retirar aquilo que não considere importante ou essencial.
  2. Coerência: coloque sempre as ideias na ordem adequada ao objetivo de comunicação da mensagem, interligando-as de forma adequada. Faça a devida “costura” entre as ideias.
  3. Ênfase: para dar relevância às ideias, pense sempre na ordem da colocação das palavras na frase, pois este é um dos processos mais eficazes para destacar aquilo que se deseja.

Assim sendo,

  • use sempre o tópico frasal explícito;
  • evite redundâncias e pormenores irrelevantes ao tema;
  • evite frases entrecortadas;
  • ponha em parágrafos diferentes ideias igualmente relevantes, relacionando-as com os termos adequados;
  • não fragmente a mesma ideia-núcleo em vários parágrafos.

5. Estabeleça credibilidade!

Após estruturar o esboço ou início do seu trabalho, pense sempre no seu posicionamento perante ao leitor. Para isso:

  • posicione-se bem dentro do texto (seja claro)
  • mostre ao leitor que você se preocupa em ajudá-lo
  • não se esqueça de ser empático sempre!

6.  Busque ajuda se precisar!

Dicionários são muito mais do que uma compilação de palavras!

São ótimas ferramentas que podem auxiliar o nosso dia a dia.

Os atuais corretores também darão aquela maõzinha para um texto correto ortograficamente.

Não se esqueça que seus amigos e familiares podem ser grandes aliados e consultores.

Seu orientador e revisores profissionais poderão auxiliar no caso que esteja com dificuldades em alguma etapa do processo de escrita ou simplesmente queira uma revisão mais aprofundada.

Este artigo foi escrito em parceria com Sheila Ladeira, proprietária da Empresa Infoguelt e revisora de textos há 12 anos. 

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