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Preprint: o que é, como funciona e por que publicar

Publicar e divulgar uma pesquisa de um jeito fácil e rápido parece impossível para você? Pois acredite: com o preprint, esse cenário já é uma realidade!

Embora o formato ainda seja bem recente, os preprints estão cada vez mais populares no meio acadêmico.

Então, tire a sua pesquisa científica da gaveta, comece a analisar a possibilidade de publicá-la como preprint e aumente as chances de vê-la sendo divulgada por pesquisadores do mundo todo.

Quero publicar um preprint

Neste material, vou tirar todas as suas dúvidas sobre o assunto. Você vai aprender:

Você sabe o que significa preprint?

A palavra “Preprint” vem do inglês e, quando traduzida, significa pré-impressão ou pré publicação. 

De maneira geral, o preprint é compreendido como um documento de conteúdo original e de teor científico que foi postado em um repositório online antes da avaliação de uma banca.

Ou seja, ele não passou pela tradicional revisão por pares (peer review)– tipo de avaliação de trabalhos bem característico dos periódicos e das revistas científicas.  

Como ele está em um repositório online e não em uma revista científica, o preprint também é conhecido como artigo “não-publicado”.

No formato preprint, o autor pode divulgar a pesquisa científica mais rapidamente mesmo que esta não esteja completamente finalizada – em função disso alguns o chamam de ‘rascunho’.

O autor também consegue atualizar o conteúdo sempre que necessário (quando surgirem novos dados da pesquisa, por exemplo).

Além das edições, muitos autores também aceitam colaborações de outros pesquisadores durante a construção do preprint.

O processo de publicação de artigos tradicional – em revistas científicas, com revisão por pares – demora muito.

Os preprints possibilitam a rápida disseminação de ideias, compartilhamentos de dados e atualização de informações.

Com os preprints, os autores também recebem um feedback mais rápido sobre as suas pesquisas. Isso é fundamental para pesquisas de natureza aplicada, por exemplo.

Quando a pesquisa é de natureza aplicada, ela tem o objetivo de gerar conhecimentos imediatos e de aplicação prática para a população.

É bem comum que pesquisas na área da Saúde sejam de natureza aplicada.

Foi o que aconteceu com um preprint sobre o Zika Vírus, publicado em 2016. Diante da epidemia que assolava o Brasil naquele ano, havia uma urgência em encontrar soluções para os sintomas e apontar relações entre o Zika Vírus e a microcefalia.

Sem tempo para esperar a aprovação das revistas, os pesquisadores optaram por publicar o resultado das pesquisas no formato preprint. (Veja aqui o preprint sobre Zika Vírus e Microcefalia)

Acessibilidade

O autor é quem decide se vai publicar a pesquisa ou não. Ele não precisa depender da aprovação de editores de periódicos.

Sendo assim, a chance do conteúdo científico chegar a mais gente é bem maior.

Além disso, o autor deposita o preprint em um repositório online.

Ou seja, o seu preprint não depende de fronteiras territoriais, o que faz com que pesquisadores de todo o mundo todo possam ler e compartilhar os resultados da sua pesquisa.

Para garantir um alcance ainda maior, o ideal é emitir o DOI para o documento.

→ O guia completo do DOI: esclarecendo todas as dúvidas

O DOI é um código único – emitido apenas para publicações que estejam disponíveis na internet – que individualiza, facilita a localização e torna o arquivo permanente na web.

Solicitar agora o DOI

Visibilidade

Se o preprint é mais acessível, ele tende a ser mais visto pelas pessoas, concorda?

Essa visibilidade é fundamental para os autores que desejam se firmar no meio científico.

Com o DOI do seu preprint, você consegue contabilizar o número de citações que a sua pesquisa científica recebeu.

Isso só contribui para mostrar a autoridade e a relevância da sua pesquisa.

Sabe-se que indexadores como o Google Scholar utilizam o número de citações como fator de relevância para resultados de pesquisa.

→ Google Scholar: o que é e como utilizá-lo como fonte de pesquisa

Feedbacks e construção conjunta de conhecimento

Como o formato permite que outros pesquisadores comentem e interajam com o seu preprint, você consegue mensurar melhor o impacto da sua pesquisa. E a comunicação científica se torna mais eficiente!

Além disso, as chances de encontrar um público mais amplo para o seu trabalho também aumentam. Até se, no futuro, você optar por submeter o artigo finalizado em um periódico

Atualizações ilimitadas

Sempre que surgir um novo dado ou precisar alterar uma informação da sua pesquisa, você poderá alterá-la.

Todas as versões ficam salvas e disponíveis no sistema. Assim, o leitor consegue acompanhar todas as atualizações feitas e o andamento da pesquisa.

Agilidade

A agilidade é, talvez, o ponto mais atrativo do preprint. Com ele, você consegue divulgar sua pesquisa mais rapidamente, compartilhá-la, além de editá-la a qualquer instante.

Como tudo é online, as alterações ficam disponíveis para outros pesquisadores em até um dia. Deu pra perceber que o preprint leva muito a sério a disseminação da informação, não é?

Desvantagens

Toda escolha tem lados positivos e negativos. Com o preprint, não é diferente.

De acordo com o American Journal Experts, alguns pesquisadores levantaram pontos pertinentes sobre o preprint e que merecem a sua avaliação. Mas, ainda assim, segundo eles, os aspectos positivos se sobressaem em relação aos negativos.

Tentativas de plágio

Primeiro, eles enfatizam que um laboratório ou instituto com recursos maiores podem utilizar os dados de um preprint e publicá-los antes do autor.

Porém, alguns repositórios online, como o da Even3, apresentam não só a data de postagem do preprint, mas também de cada atualização do arquivo. Assim, o autor fica resguardado de que a ideia e a experimentação da pesquisa foram suas.

Para garantir uma segurança ainda maior nessa questão, não deixe de emitir o DOI do seu preprint.

Falta de ineditismo

Outra desvantagem é que algumas revistas científicas não aceitam publicar artigos que tenham sido fruto de preprints.

Elas utilizam como critério de reprovação a falta de ineditismo desses trabalhos, uma vez que eles já estão postados e acessíveis na web.

Então, é sempre bom mapear as revistas que são interessantes para a sua pesquisa e avaliar os critérios de submissão delas.

Você já pensou no que seria melhor para o seu caso: ter o seu artigo publicado por uma revista científica ou o seu preprint postado em um repositório online?

Lógico que essa é uma escolha que só cabe a você.

No entanto, para que você não fique cheio de dúvidas sobre qual caminho seguir, vou trazer pontos positivos e negativos das duas opções.

Sobre artigos em periódicos, a explicação será mais breve, já que tenho um outro material exclusivo e super completo sobre o assunto. Você pode conferi-lo aqui:

→ Leia mais: Guia sobre como e onde publicar artigos

Já sobre os preprints, vamos analisar ponto por ponto.

Artigo em revista científica

Se você já tentou submeter um artigo em uma revista científica ou “journal” sabe o quão demorado o processo pode ser. Essa é a grande desvantagem de publicar artigos em periódicos.

Revistas bem indexadas e com bom indicador Qualis tendem a avaliar rigorosamente cada artigo que recebem antes de decidir quais irão publicá-los.

Em vista disso, embora muitos autores já estejam com a pesquisa científica pronta para ser publicada, a efetivação só ocorre anos depois.

Concorda que, em alguns casos, essa situação é bem frustrante para os acadêmicos?

Afinal, você dedicou todo um tempo e esforço para escrever um artigo, colheu dados atualizados (que ficaram desatualizados com a espera) e, no fim, seu conteúdo ficou guardado na gaveta.

Em contrapartida, normalmente, só os artigos originais, inéditos, que tenham a mesma temática da revista e também que apresentem consistência nas informações divulgadas são publicados pelos periódicos científicos.

Note que usei a palavra “normalmente”. Isso não aconteceu de forma aleatória.

Infelizmente, muitos pesquisadores têm sido alvo das chamadas revistas predatórias.

Cuidado: saiba como não ser vítima das revistas predatórias

Ter um artigo publicado em um periódico de renome também agrega muito valor ao Currículo Lattes do pesquisador, assim como à sua carreira acadêmica.

O pesquisador também conquista visibilidade e credibilidade no meio científico.

Preprint em repositório online

Falar de preprint é falar em agilidade na divulgação.

Isso porque, de acordo com a sua definição, o preprint é um manuscrito que parte do artigo (pode ser o artigo finalizado ou não, já que o gênero permite edições), mas que, por não passar por uma avaliação tão criteriosa, o autor pode postá-lo na internet mais rapidamente.

Concorda que se o principal objetivo da pesquisa científica é disseminar o conhecimento, o preprint cumpre exatamente essa função e ainda de forma mais ágil?

Combo perfeito: preprint + artigo

Cada vez mais, os preprints são vistos como tendência na Academia.  

Principalmente, porque se sabe, hoje, da urgência que determinadas áreas do conhecimento têm em publicar e divulgar resultados das suas pesquisas.

Então, várias revistas científicas estão reavaliando seus critérios de submissão e retirando a condição de “ineditismo da publicação”.

Elas aderiram a essa tendência e querem dar continuidade aos preprints, tornando-os artigos científicos efetivamente publicados.

Por isso, há chance sim do seu preprint virar um artigo científico. Basta mapear as revistas científicas certas para, no futuro, transformá-los em artigos definitivos e publicá-los.

Voltando aos preprints…

Você já sabe o que são, as vantagens e desvantagens. Optou por postá-los. Mas você sabe onde?

Como falei anteriormente, as pré-publicações são depositadas em repositórios de preprints. Alguns são de acesso aberto.

Se você já pesquisou sobre o assunto, provavelmente ouviu falar em servidores “gringos”, como o OSF Preprints e o Peerj Preprints. Ou ainda o arXiv, das áreas da matemática, física, ciência da computação e biologia e o biorXiv, para o campo das ciências biológicas. 

Even3 Publicações

Pensando justamente em acompanhar essa evolução e tendência da Ciência, criamos o Even3 Publicações, um repositório online de preprints.

preprint - even3 publicaçoes
Página online do Preprint no Even3 Publicações

Por lá, você consegue postar o seu preprint, gerar uma página online para ele, receber comentários de pesquisadores nessa página.

comentario publicacoes even3
Na página do seu preprint, é possível gerenciar comentários. Assim, você consegue receber feedbacks de outros pesquisadores e aprimorar a sua pesquisa.

Sempre que fizer uma atualização no preprint, a nova versão ficará registrada no nosso repositório. Desta forma, todos os pesquisadores e interessados nos seus resultados acompanharão o andamento da pesquisa.

versões do preprint do publicações even3
No Even3 Publicações, é possível acompanhar cada atualização do preprint, já que todas as versões ficam registradas no nosso sistema.

Também é possível emitir o DOI do seu preprint. Você consegue concentrar a sua produção científica em um só lugar, de um jeito fácil e rápido, sem burocracias.

Quero publicar meu preprint

Se o seu preprint já está publicado online e já possui um DOI, excelente! Agora você já pode adicionar o preprint ao seu currículo Lattes e enriquecer a sua experiência acadêmica.

Para incluí-lo ao Lattes, você precisa, antes de tudo, ter um currículo cadastrado na plataforma. Caso ainda não possua um, vá correndo ler esse nosso blogpost: Currículo Lattes: o que é e dicas valiosas para criar o seu

Se você já tem o seu, é só seguir esses passos.

  1. Acessar a plataforma Lattes > Clicar em “Atualizar currículo”
  2. Preencher seu CPF e sua senha
  3. No menu superior, escolher a opção “Produções”>”Outra produção bibliográfica”
  4. Preencha os detalhes da sua publicação. Neste caso, a natureza será “Preprint. Lembre- se de colocar o título, link do trabalho, ano de publicação e autor(es) do trabalho . E não se esqueça de salvar =)

Quer postar agora o seu preprint? Conheça o Even3 Publicações e publique com a gente!

quero publicar um preprint

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