Tudo que você precisa saber sobre artigos científicos

Para os que participam da ciência e da pesquisa, é comum utilizar artigos científicos como fonte de estudo, e também como meio de divulgação de seus trabalhos.

Mas se você acabou de entrar nesse mundo, não se preocupe!

Reunimos aqui neste artigo, que não é científico, tudo o que você precisa saber para se atualizar sobre o tema, como:

Artigo científico é o trabalho acadêmico que apresenta resultados sucintos de uma pesquisa realizada de acordo com um método científico aceito por uma comunidade de pesquisadores.

Por esse motivo, considera-se científico o artigo que foi submetido a exame por outros cientistas. Eles verificam as informações, os métodos e a precisão lógico-metodológica das conclusões ou resultados obtidos.

Em geral, é uma produção curta que dificilmente ultrapassa 20 páginas.

Normalmente, é o resultado de sínteses de trabalhos maiores ou, em alguns casos, elaborado, em número de três ou quatro, como trabalhos de teses e dissertações, sempre com a assistência de um orientador acadêmico.

Mas você sabe como achamos esses artigos? Normalmente, esse tipo de trabalho acadêmico é publicado em periódicos ou em anais de eventos.

-> Encontre eventos para publicar seus artigos

Ainda, é possível encontrá-los em repositórios online. Em breve, vou te explicar como!

Para começar, você vai precisar encontrar uma área de estudo que seja do seu interesse e motive a sua pesquisa.

A partir daí, será mais fácil seguir o passo a passo:

1) Conheça as diferenças entre os estilos

Primeiro, você precisa saber que está escrevendo um artigo científico.

Por isso, é importante ao menos conhecer o seu formato e não confundi-lo com outros tipos de artigos, como o jornalístico, o artigo de opinião ou o artigo de divulgação científica.

Baixe Modelo de Artigo Científico

Nesse último caso, a confusão é bem comum, mas há uma diferença grande: o artigo de divulgação científica é escrito para divulgar os resultados de uma pesquisa para o público leigo.

Sendo assim, a divulgação não precisa expor a metodologia detalhadamente, nem se ater às regras de um artigo científico, como as normas da ABNT.

2) Leia artigos acadêmicos sobre o assunto que você vai escrever

Depois de ficar por dentro da estrutura de um artigo científico, ler diferentes artigos da sua área de atuação vai fixar ainda mais o formato!

-> Saiba onde buscar artigos científicos

Além disso, eles vão te atualizar quanto às novidades acadêmicas e serão uma ótima forma de obter referências bibliográficas ou fontes de pesquisas.

3) Defina seu problema de pesquisa

Agora que você já está por dentro da estrutura dos artigos e do conteúdo, é hora de começar a escrever.

Mas é preciso saber o que pesquisar e ser objetivo, para não perder tempo.

Por isso, o indicado é começar a desenvolver a pesquisa a partir do seu problema, ou seja, uma questão específica que você vai responder com o seu trabalho.

-> Formule o seu problema de pesquisa em 5 passos

4) Consulte as normas técnicas da ABNT

As normas da ABNT são importantíssimas na hora de formatar seu artigo de forma adequada.

Portanto, não esqueça das 3 normas essenciais para os artigos científicos:

  1. Regras de formatação para artigos científicos (NBR 6022);
  2. Citações (NBR 10520);
  3. Referências Bibliográficas (NBR 6023)

Lembre-se que alguns professores e avaliadores dão tanta importância a isso quanto dão ao texto em si.

5) Preste atenção nas citações, notas de rodapé e referências bibliográficas

Falando em citações, além das normas da ABNT, é preciso verificar se elas estão sendo feitas da forma correta, ou seja, entre aspas e referenciadas.

Afinal, plágio é a pior coisa que pode acontecer em relação a um artigo científico.

Nesses casos, invista em escrever da forma como você pensa e usando citações para fortalecer seu argumento, assim, seu texto ganha ainda mais força e prestígio.

6) Revise o seu trabalho

Antes de finalizar, lembre-se de ler seu trabalho novamente e eliminar erros, como:

  • Excesso de palavras;
  • Muito uso de voz passiva;
  • Erros gramaticais

Como já falamos, conhecer a estrutura do artigo científico é ideal na hora da escrita.

Então, para te ajudar, listamos abaixo qual é a estrutura básica que os artigos científicos obedecem. Mas, claro, podem haver pequenas variações:

Título

O título do trabalho deve ser o mais claro possível e deve permitir identificar o conteúdo do trabalho ou o tipo de informação que o(s) autor(es) pretende(m) discutir.

Identificação do(s) Autor(es)

O título é seguido do nome completo dos autores, sua qualificação profissional, a vinculação institucional ou a menção da instituição em que o trabalho foi realizado. O e-mail do autor principal completa a identificação dos autores do trabalho.

Resumo

A parte que antecede o “corpo” do trabalho, consiste de um resumo simples. Ele deve conter os principais dados e as conclusões do trabalho. A maioria das publicações limita o resumo a um máximo de 250 palavras.

Sua finalidade é permitir aos leitores conhecer o teor do trabalho sem precisar recorrer à sua leitura integral.

Além disso, o resumo serve também para classificar o trabalho e disponibilizar o seu conteúdo pelas diversas publicações e mecanismos indexadores.

Portanto, para favorecer a mais ampla divulgação do conteúdo do trabalho, muitas publicações solicitam que o resumo também seja apresentado em inglês (Abstract).

Introdução

Essa é a primeira parte do trabalho propriamente dito.

Por isso, é um texto claro e sucinto e deve descrever os objetivos do trabalho.

Como o novo já diz, a introdução serve para introduzir o leitor ao tema da pesquisa, ao problema estudado, aos principais conceitos envolvidos e aos trabalhos já realizados até o momento.

Ainda, o texto pode indicar os motivos que levaram o autor a escrever o trabalho e pode descrever algumas das informações já existentes sobre o mesmo assunto.

Estrutura básica:
– Antecedentes do problema;
– Descrição do problema;
– Trabalhos já realizados;
– Aplicabilidade e originalidade da pesquisa;
– Problema de pesquisa;
– Objetivos, metodologia e hipóteses.

Erros comuns:
– Orientação mais empírica que teórica.
– Introdução muito longa, incluindo trechos que poderiam ser melhor utilizados na discussão.
– Detalhes excessivos na descrição de estudos prévios.
– Omissão de estudos diretamente relevantes.
– Terminologia confusa.
– Citações incorretas.

Material e Métodos

Nesta parte do trabalho, que segue a introdução, os autores descrevem o tipo e a quantidade das observações feitas, bem como os métodos empregados para a sua coleta, registro e avaliação.

Mediante a descrição minuciosa dos métodos usados, o autor informa os leitores sobre os detalhes da obtenção dos dados em que se baseia o trabalho. Os detalhes devem restringir-se ao que é relevante ao trabalho.

Estrutura básica:
– Local e condições experimentais.
– Delineamento e tratamentos.
– Controle das condições experimentais.
– Variáveis (avaliações).
– Análise estatística.

Erros comuns:
– Informação inadequada para avaliação ou replicação.
– Descrições detalhadas de métodos padronizados e publicados.
– Deixar de explicar análises estatísticas não usuais.
– Participantes muito heterogêneos.
– Medidas não validadas; de confiabilidade fraca ou desconhecida.

Resultados

Os resultados encontrados são relatados de uma forma organizada e sistematizada. Quando se estuda um grupo de casos ou de observações, os percentuais da ocorrência de cada observação também são relatados. A importância e o significado de certos resultados podem ser melhor avaliados pela análise estatística.

Estrutura básica:
– Resultados da análise estatística.
– Estatísticas descritivas (médias, desvio padrão e correlações)
– Estatísticas inferenciais
– Relatar a significância e a amplitude dos dados.
– Análises adicionais (usualmente post hoc).

Erros comuns:
– Tabelas e figuras complexas, incompreensíveis.
– Repetição dos dados no texto, nas tabelas e nas figuras.
– Não utilizar o mesmo estilo de redação da introdução e do material e métodos.
– Não apresentar os dados prometidos na seção material e métodos.
– Análise estatística inadequada ou inapropriada.

Discussão

Outra parte super importante do artigo é a discussão.

Neste segmento do trabalho as observações de outros autores referentes ao tema do trabalho podem ser descritas, para comparação.

Assim, os resultados encontrados são detalhadamente discutidos e o seu significado é apontado. A discussão pode ser mais ou menos ampla, conforme o tema estudado.

Estrutura básica:
– Relacionar os resultados com as hipóteses.
– Interpretações: esperadas versus alternativas.
– Implicações teóricas, para a pesquisa e para a prática.
– Limitações do estudo: aproximação com o estudo ideal.
– Confiança estimada das conclusões.
– Explicitação de possíveis restrições para as conclusões.
– Identificação de procedimentos metodológicos pertinentes aos resultados.
– Recomendações para pesquisas futuras.

Erros comuns:
– Repetição da introdução.
– Repetição dos resultados.
– Discussão não baseada nos propósitos do estudo.
– Não esclarecer as implicações teóricas e práticas dos resultados.
– Discussão não baseada nos resultados.
– Hipóteses não discutidas explicitamente.
– Apresentação de novos dados.
– Repetição da revisão da literatura.
– Especulações não fundamentadas.
– Recomendações não baseadas nos resultados.

Conclusões

Por fim, a análise dos resultados encontrados e o seu significado no contexto em que foram estudados levam às conclusões do trabalho.

Então, esta seção deve ser bastante clara e concisa e mesmo que os resultados não forem inteiramente conclusivos, isto deve ser apontado.

Referências Bibliográficas

Ainda, há uma última parte do trabalho: a coleção de referências bibliográficas efetivamente consultadas.

Esta pode ser apresentada pela ordem de citação no texto ou pela ordem alfabética dos nomes do primeiro autor de cada referência. Deve-se adotar o padrão ABNT para citações e referências.



Os artigos normalmente são publicados em revistas científicas classificadas por área e podem ser nacionais ou internacionais.

No Brasil, as revistas são classificadas pelo Qualis, que nada mais são que procedimentos utilizados pela Capes para avaliar a qualidade dessas publicações.

Quando for publicar, procure selecionar periódicos que se enquadrem ao tema abordado. Assim que escolher a revista em que pretende publicar, consulte as normas de publicação, normalmente disponível no site da revista, pois cada periódico tem suas regras.

Um opção muito para quem está começando é publicar o trabalho em congressos, simpósios, seminários e outros eventos da área, pois as regras normalmente são mais simples e as avaliações mais rápidas.

Você pode encontrar esses eventos no site do CNPq e no do Even3. Essas experiências podem ser registradas no Currículo Lattes, que você pode entender melhor no nosso blog.

Os avaliadores dos eventos, revistas e periódicos seguem uma linha geral de avaliação que é importante sempre atentar na hora de realizar as revisões finais do seu artigo:

  1. Relevância (enquadramento do artigo) – observe se o artigo produzido se adequa à publicação ou evento. É importante uma pesquisa prévia de quais eventos e publicações mais se adequam ao seu artigo.
  2. Originalidade – no geral, os avaliadores são pessoas experientes que já possuem um vasto conhecimento na área para detectar se um trabalho produzido é original ou possui cópias demasiadas.
  3. Mérito técnico-científico – atentar para a clareza da metodologia científica aplicada e os resultados obtidos que sejam relevantes para a área de pesquisa.
  4. Apresentação (conteúdo com forma) – atentar para as normas e modelos estabelecidos pelo evento ou publicação. Desrespeitar as regras e formatos, em muitos casos, pode resultar na reprovação do artigo.
  5. Organização e legibilidade (readability) – uma boa escrita, comunicação e utilização de boas práticas e normas da área de pesquisa é essencial para que os avaliadores possam entender de forma clara o trabalho.
  6. Referências – sempre que forem utilizadas referências para comparativos e direcionamento da pesquisa, é obrigatório realizar a citação. Além dessa linha geral, cada banca avaliadora poderá ter seus próprios critérios de avaliação, que são explicados na chamada para submissão. Estudar esses critérios é a melhor forma de aumentar suas chances de publicação do artigo.

Depois de todas essas dicas, se engana quem acha que não é capaz de publicar um artigo!

Aliás, até mesmo crianças já realizaram publicações científicas sob orientação de um professor, como mostramos em Royal Society publica artigo científico escrito por crianças.

Você pode publicar um artigo desde que seja aceito pelo congresso e/ou revista ao qual foi submetido.

Mas na maioria das revistas acadêmicas o aluno de graduação, e até mesmo do mestrado, só pode submeter artigos em conjunto com o orientador. Já nos anais de eventos científicos, o artigo não possui a necessidade de um orientador.

Assim como a presença do organizador se torna obrigatória em eventos científicos, a vinculação com uma universidade reconhecida pelo MEC é essencial para a publicação em periódicos acadêmicos.

Além disso, muitos eventos permitem a publicação de artigos por mais de 1 pessoa até, no máximo, 5. Já as revistas acadêmicas vão divergir de acordo com a coordenação.

Não importa a sua formação, mas a qualidade do trabalho! E quem decide isso é a comissão científica que analisa os trabalhos submetidos.

Depois de publicar artigos, você vai perceber que eles estão disponíveis em revistas, anais de eventos ou  indexadores de periódicos, como o Scielo, Web of Science e Scopus.

No entanto, esses artigos normalmente possuem acesso fechado ou limitado. Nesse caso, se você está buscando outros artigos para agregar na sua pesquisa, por exemplo, você pode buscar em sites de acesso aberto, como:

  • Google Scholar ou Google Acadêmico: a ferramenta do Google voltara para pesquisa e ciência é um bom ponto de partida para buscar um tema específicos ou artigos científicos;
  • Periódicos Capes: Falando em artigos, o Capes Periódicos é nossa maior referência. Por lá, você encontra uma biblioteca virtual com a produção científica do país. O acesso é gratuito, mas pode ser limitado se você não tvier um login de instituição de ensino;
  • Sci-hub: O polêmico sci-hub é um repositório digital de acesso aberto. Ou seja, ele disponibiliza artigos científicos gratuitos para qualquer pessoa no mundo. O problema é que a maioria desses artigos, normalmente, têm acesso fechado;
  • Library Genesis: Semelhante ao Sci-hub, o Lib-gen é outra biblioteca aberta que disponibiliza, gratuitamente, artigos com acesso fechado.

Para uma lista mais completa de ferramentas e sites você pode conferir a lista 100 sites indispensáveis de pesquisa científica e acadêmica.

E, claro, já pode começar a escrever 😉

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Segredos e dicas sobre o mundo de eventos técnicos-científicos

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